Asteróide 2012DA14

Para quem se empolgou com o vídeo do meteoro que caiu na Rússia essa madrugada e quer ver ao vivo a passagem “de raspão” do asteróide 2012DA14, aqui vão algumas alternativas de strem ao vivo do evento. Lembrando que se você estiver esperando um espetáculo como o visto essa madrugada na Rússia, vai com certeza se decepcionar. O 2012DA14 vai ser muito mais um pontinho cruzando uma tela salpicada de estrelas do que qualquer outra coisa. Mesmo assim vale MUITO a pena ver (se você é fanático por astronomia como eu).

Se você caiu de pára-quedas no mundo, uma breve introdução: o Asteróide 2012DA14 foi descoberto em fevereiro do ano passado, tem aproximadamente 50m de diâmetro (meio campo de futebol) e vai passar perto, MUITO perto da Terra, mas sem chances de se chocar ou de entrar na nossa atmosfera. Na verdade após a passagem, a gravidade da Terra vai mudar a trajetória do obejeto, provavelmente mandando-o para uma órbita que nos deixará ainda mais tranquilos. Esse objeto tem, provavelmente o mesmo tamanho e composição rochosa que o bólido que queimou na atmosfera em 1908 sobre a região de Tungaska queimando uma enorme área de floresta (que bom que esse NÃO vai nos atingir!).

O quão perto da Terra esse pedregulho vai passar? MUITO perto! A aproximadamente 27 mil km de nós. Para se ter uma idéia, os satélites com órbita geoestacionária ficam a cerca de 45 mil km e a nossa Lua a 400 mil km. Portanto, vai pegar de raspão mesmo!

E agora vamos ao que interessa: como eu faço se eu quiser VER esse negócio?

Bom, o encontro propriamente dito vai ser às 17h25 (horário de Brasília) e poderá ser visto em alguns sites (infelizmente não consegui nenhum em português, se alguém souber, por favor me diga que eu incluo na lista):

O melhor lugar para acompanhar, na minha humilde opinião, vai ser no Hangout que o Phil Plait fará ao vivo, na hora do evento. Se você entende inglês, vai nesse que é garantia de informação precisa, bom humor e ele vai procurando na hora os feeds que estão funcionando melhor.

• A NASA vai transmitir pelo Ustream e pela Nasa TV começando meia hora antes do evento (16h55).
• A NASA também vai trasmitir ao vivo por aqui, a partir das 21h
• O Clay Center, em Massachussets vai transmitir por esse link, também a partir das 21h
• O “Virtual Telescope Project” estará transmitindo a partir das 20h
• O observatório Baraket, em Israel fará um feed começando às 18h15
• A “Planetary Society” vai fazer um webcast ao vivo (incluindo telescópios) durante o evento
• O observatório inglês de Bayfordbury vai twittar imagens na medida em que forem “saindo do forno”

Fonte: Bad Astronomy

Anúncios

Bola de fogo avistada nos céus da Rússia

Um GRANDE (como bem apontou Luciano Marani, apesar de impressionantes os vídeos, o objeto em si é possivelmente pequeno) meteoro foi avistado agora há pouco na Rússia. Já avisando que não, esse não tem NADA a ver com o 2012DA14, que passará a 27 mil km da Terra daqui a algumas horas.

Veja alguns vídeos, depois eu volto para algumas explicações:


Esse eu achei o mais legal. Dá pra ver a bola de fogo perfeitamente 
Update: Sacanagem, o cara tirou o vídeo do ar

Nesse é possível ver o rastro do meteoro… e aos 30″ vem o barulho da onda de choque. É BEM impressionante. (pra não dizer assustador)

Mais um onde é possível ver em detalhes o rastro deixado pelo meteoro

Esse também é lindo… parece bastante com o primeiro.

Mais um onde é possível sentir a força da onda de choque desse objeto.

Agora alguns esclarecimentos:

Se alguém aí ainda ficou com a pulga atrás da orelha achando que é o 2012DA14, volto a dizer que esse é um objeto COMPLETAMENTE diferente. Como posso saber disso? Vamos lá:

• esse objeto entrou na atmosfera 12 horas antes da passagem prevista para o 2012DA14. Parece quase ao mesmo tempo, mas para um objeto que viaja a 8km/seg. essa diferença de tempo implica em uma distância ENORME (pouco mais de 345 mil km). Isso quer dizer que, no exato momento que esse objeto entrou na nossa atmosfera o 2012DA14 havia acabado de passar pela Lua.

• pelos cálculos dos astrônomos que viram essa bola de fogo, a órbita não bate. O 2012DA14 viajaria de sul para o norte, esse objeto aparentemente fez a entrada de leste para oeste. (cálculos preliminares do Bad Astronomer Phil Plait).

• muita coincidência 2 meteoros no mesmo dia? e se eu disser que a Terra recebe, TODOS OS DIAS entre 50 e 100 ton. (isso, TONELADAS) de material vindo do espaço? E pq não vemos bolas de fogo como essas todos os dias? 1-pq nas cidades não temos céu escuro o suficiente, mas se sairmos da poluição de luz dos grandes centros urbanos e olharmos pro céu, vamos ver uma quantidade enorme de “estrelas cadentes” e aí estão nossos meteoros. 2- mesmo vendo muitas estrelas cadentes, temos que lembrar que a maior parte da superfície do nosso planeta é constituída de água, e mesmo o continente possui vastas áreas não-habitadas então, estatisticamente, a maioria dos meteoros vai cair em locais em que não tenha ninguém para ver.

Assim que tiver mais informações sobre esse evento, vou atualizando o post.

UPDATE 1: Rumores de que há feridos devido a vidros quebrados pela onda de choque.

UPDATE 2: Segundo a Folha, o evento deixou ao menos 400 feridos

UPDATE 3: Carlos Orsi escreveu um belo artigo sobre esse meteoro específico com muita informação sobre corpos celestes que cruzam o caminho da Terra em geral. Vale a pena ler o artigo e seguir o blog do Carlos, que é fantástico.

UPDATE 4: Follow up do Phil Plait sobre o assunto.

UPDATE 5: Para encerrar o assunto (por hora) esse ótimo post do Phil Plait sobre todos esses meteoros e asteróides que aparentemente descobriram agora a órbita da Terra. E uma frase que vale a (livre) tradução: “Os dinossauros morreram por não ter um programa espacial. Nós temos um, só precisamos ser espertos o suficiente para custeá-lo e usá-lo”.

Música do espaço

Eu lembro quando começou a se falar na construção de uma Estação Espacial Internacional, pouco antes da russa MIR ser desativada. Era um projeto ambicioso, seria uma grande estação, dessas que se vê em filmes, mas acabou sendo “capada” aos poucos por problemas financeiros e políticos, a ponto de muitos cientistas chegarem a questionar seu propósito.
O que temos hoje é uma caricatura (nada divertida) daquele primeiro projeto, custou quase o dobro do dinheiro e do tempo de construção estimados incialmente. Ainda há muitos astrônomos que continuam torcendo o nariz para a nossa base em órbita, com o argumento de que há muito pouca ciência sendo feita ali pelo custo estratosférico (com o perdão do trocadilho) para manter aquele trambolho lá.

Mas aí vemos isso:

http://music.cbc.ca/embedded/concerts/Chris-Hadfield-and-Barenaked-Ladies-ISS-Is-Somebody-Singing-2013-02-05/videos/Chris-Hadfield-and-Barenaked-Ladies-ISS-Is-Somebody-Singing

Uma composição belíssima com letra do astronauta Cris Hadfield e música do Barenaked Ladies (grupo que compôs o tema de abertura de The Big Bang Theory), em uma linda interpretação com um coral de crianças. Isso pode não ser ciência, mas é arte, e a arte é tão importante para sermos pessoas melhores quanto a ciência. A arte, aliada à ciência podem mover o mundo.

E esse não é um exemplo isolado de arte que vem diretamente da ISS. Dê um google nos vídeos em Timelapse feitos pelos astronautas, ou nas imagens feitas pelos astrofotógrafos aqui na Terra, observando o trânsito da ISS em frente à Lua ou ao Sol.

Talvez o legado científico da ISS realmente não seja lá grandes coisas, mas já valeu tê-la colocado em órbita somente pelo gigantesco legado cultural que ela vai deixar e pelas sementes que irá plantar em uma geração que está crescendo em meio a toda a beleza que vem do espaço.

Um brinde à ISS! É a oportunidade única que nós, os 7 bilhões que estão aqui embaixo, nos sentirmos parte desse céu lindo sobre nossas cabeças.

Pale Blue Dot

Uma pequena animação inspirada em um dos textos mais belos que já li.

A Pale Blue Dot, de Carl Sagan:

Pale Blue Dot from ORDER on Vimeo.

Para quem não sabe da história, o texto foi inspirado nessa foto:

Essa foto mostra a Terra, nosso planeta, há 6 bilhões de quilômetros de distância. Foi feira em 1990 após muito Sagan insistir em virar a câmera da sonda Voyager 1 para “trás” e fazer um retrato do nosso Sistema Solar.

Segue aqui a íntegra do texto, em inglês (prometo que vou procurar uma boa tradução, as que encontrei fácil no google não fazem jus à beleza desse texto).

From this distant vantage point, the Earth might not seem of any particular interest. But for us, it’s different. Consider again that dot. That’s here. That’s home. That’s us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every “superstar,” every “supreme leader,” every saint and sinner in the history of our species lived there – on a mote of dust suspended in a sunbeam.
The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that in glory and triumph they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner. How frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds. Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity – in all this vastness – there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves. The Earth is the only world known, so far, to harbor life. There is nowhere else, at least in the near future, to which our species could migrate. Visit, yes. Settle, not yet. Like it or not, for the moment, the Earth is where we make our stand. It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. To me, it underscores our responsibility to deal more kindly with one another and to preserve and cherish the pale blue dot, the only home we’ve ever known.
—Carl Sagan, Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space, 1997 reprint, pp. xv–xvi

post inspirado no BadAstronomer Phil Plait