falta de água e de pensamento crítico

Bom galera, senta que o post vai ser longo. Ou levanta, pois eu vou dizer algumas coisas que podem não ser tão confortáveis assim de se ler.

Resolveu ficar? acha que é forte o suficiente? depois não diga que eu não avisei hein? certo, então vamos lá:

O SEU CÉREBRO É FALHO. Sua capacidade de entendimento das coisas foi MUITO ultrapassada pela ciência. Hoje em dia nós conseguimos dados sobre coisas que não temos a MENOR capacidade de abstração para conseguir entender ou mesmo fazer uma vaga idéia.

Responde rápido: você sabe quanto é 1 bilhão de reais? Quando eu digo que o Sol está há 150.000.000km da Terra, você tem que ficar contando zerinhos pra entender que se tratam de 150 milhões de quilômetros (e admita, saber isso não fez a MENOR diferença pra você ter alguma noção dessa distância).

Isso porque o nosso cérebro evoluiu as habilidades necessárias para a nossa sobrevivência, isto é: achar comida, fazer sexo e evitar ser morto por predadores antes de fazer sexo. As habilidades que precisamos para isso: reconhecer padrões, tomar decisões baseadas no que conseguimos ver e medir.

Imagina um homem das cavernas, lá na savana africana, vendo uma cena como essa:

 

Quantos búfalos têm aí? Essa pergunta só faz sentido se você for o Rei do Gado e está contando suas cabeças de búfalo, mas se você é um homem das cavernas querendo sobreviver, você sabe exatamente quantos búfalos têm aí: UM MONTÃO! Quantidade suficiente pra você ficar LONGE. E segue a vida. Ninguém precisava saber exatamente de quantos búfalos você sobreviveu. Até pra contar a história lá na aldeia, não ia ter um chato perguntando quantos eram. MUITOS era um número completamente válido (inclusive para algumas tribos que sobreviveram até hoje).

Nesse momento você deve estar bradando aí internamente (ou os mais exaltados até deve estar xingando a pobre tela de LCD e expelindo perdigotos na coitada) “EU SOU UM SER EVOLUÍDO! NÃO SOU UMA PORRA DE UM ÍNDIO!”

Ah não? Então mostraí fera, quanto é uma pilha de 1 bilhão de dólares? Cabe na carteira? Cabe na sua sala? E o seu carro tem autonomia pra fazer uma viagem de 150 milhões de quilômetros até o Sol? Vamos mais alguns exemplos? Você sabe quantas “Terras” cabem dentro do Sol? 1 milhão! Sabe quanto é isso?

IMG_2171

Agora aproveitando essa imagem bacana aí em cima: você conhece nosso planeta né? Já viu alguma foto da Terra vista do espaço? A NASA chamou a primeira foto dessas, feita pela missão Apollo de “The Blue Marble” (algo como “Bolinha de Gude Azul”).

Earth_s_true_colours

Guilherme Arantes, quando viu essa imagem compôs “Terra, Planeta Água” (sim, chato pra cacete).

Afinal, não faz o MENOR sentido chamar de Terra algo que tem 2/3 de sua superfície coberta por água, certo? ERRADO! Olha aí nossos olhos pregando peças de novo. Olha aí, novamente você se achando o ápice da evolução (desculpe, você não é mais evoluído que um peixe ou que uma bactéria que vive no seu intestino). Na imagem abaixo, vemos 3 “gotinhas” a maior é o total de água do planeta (sim, TODA a água da Terra, incluindo a água dos mares, polos, icebergs, lençóis freáticos, cavernas, atmosfera e até a água que há nos corpos dos seres vivos, como eu, você e todos os outros seres), a segunda, representa toda a água líquida e doce e a terceira, sim esse pontinho azul que mal dá pra ver, representa toda a água em rios e lagos.

global-water-volume-fresh-large

 

Vou dar um minutinho pra você recolher o queixo que caiu.

Enquanto isso, se você quiser ler mais a respeito, sugiro esse link (em inglês).

Somos muito bons em reconhecer padrões onde não existe e somos extremamente bons em acreditar nesses padrões (afinal, nossa vida sempre dependeu disso e nós, como espécie, sobrevivemos), portanto não dá pra não acreditar certo? ERRADO de novo. Nosso conhecimento ultrapassou e MUITO o que a evolução nos deu de ferramentas para lidar.

Vou dar mais um exemplo: já ouviu falar em PAREIDOLIA? É a nossa “capacidade” de encontrar rostos inclusive onde não existe.

enhanced-buzz-32408-1259894121-28-243x300 Pareidolia-3 pareidolia-peppers-l z-Martian_face_viking_cropp

(divertido né? Mas pensa que tem gente rezando pra torradas ou paranóico por o governo estar escondendo A VERDADE sobre Marte).

Como lidar com isso? É SIMPLES… questione suas percepções, questione suas crenças, pare de pensar que pensa!

E por falar em “pensar que pensa” esse cidadão começou certo, questionou a crise hídrica de São Paulo, mas errou, errou feio, errou rude ao achar que sua percepção sobre o que é cheio/vazio e muito/pouco é absoluta. E foi essa a grande bobagem que ele cometeu (muita gente já veio me perguntar sobre esse vídeo, que tá rolando há umas semanas pelo facebook).

 

OHHHHHHHH Quanta água né???? (antes de responder, lembrem daquela imagem do planeta com as gotinhas representando TODA a água do planeta).

Aqui está uma lista dos principais reservatórios que abastecem São Paulo e suas capacidades (tirei desse link aqui)

Sistema Cantareira:
Capacidade total: 1 trilhão de litros
População que abastece: 6,5 milhões

Sistema Alto Tietê:
Capacidade total: 520 bilhões de litros
População que abastece: 4,5 milhões

Sistema Guarapiranga:
Capacidade total: 171 bilhões de litros
População que abastece: 4,9 milhões

Sistema Rio Grande:
Capacidade total: 112 bilhões de litros
População que abastece: 1,2 milhão

Sistema Alto Cotia:
Capacidade total: 16 bilhões de litros
População que abastece: 410 mil

Sistema Rio Claro:
Capacidade total: 13 bilhões de litros
População que abastece: 1,5 milhão de pessoas.

 

Reparou? Cabem 1 TRILHÃO de litros de água no sistema Cantareira. 5% disso é cerca de 50 BILHÕES DE LITROS de água (lembra dos búfalos? você sabe contar quantos litros de água têm ali naquele vídeo?). E 6,5 milhões de pessoas (o tanto que o sistema abastece) consomem quanta água por dia? Se enfileirarmos 6,5 milhões de pessoas, vai dar uma fila de quantos km?

Nosso cérebro que evoluiu para ser ótimo em arrumar comida e sobreviver até conseguir transar e deixar descendentes não consegue entender essas medidas. Ainda juntamos um governo incompetente e uma história de conspiração, de que tem guardas que não deixam ninguém filmar nem fotografar e a parada fica completamente irresistível (lembra do rosto de Marte, aí em cima?). O cidadão passa pela represa, vê 50 bilhões de litros de água e chega a conclusão de que há uma conspiração do governo para esconder a água da população.

Agora vamos pensar mais um pouquinho?

• Já falamos aqui DIVERSAS vezes sobre a incapacidade de entendermos esses grandes números e volumes de água x população atendida x consumo

• Por que diabos um governo que já se mostrou completamente incompetente acaba com seu resto de popularidade escondendo a água da população?

• Como ele diz no vídeo: “Pra onde está indo essa água”? Será que o imbecil do Alckmin fez TANTA merda que precisa de 50 bilhões de litros de água pra dar a descarga? (é, olhando por essa ótica essa hipótese faz até que bastante sentido.. rs)

• Se a água tá sendo “desviada”, por que a imprensa não divulga isso? Quer dizer, NENHUM órgão da imprensa divulga. Será que são eles que estão recebendo TODA a água em troca de acobertarem a farsa?

• E os policiais que não deixam ninguém filmar, qualquer um que aparecesse para uma entrevista receberia uma bolada. Será que eles estão recebendo reforços nos salários também para encobrir a farsa?

• Será que essa conspiração para esconder a água da população valeria a pena por ser TÃO cara e TÃO difícil de manter? E com qual propósito?

• A propósito, uma conspiração desse tamanho teria que, necessariamente envolver as 3 esferas do governo (municipal, estadual e federal) e em diversos municípios do Estado de São Paulo. Essas esferas têm em seu comando partidos de oposição e de governo. Imagina o inferno que seria um pacto político que satisfaça TODOS os envolvidos (prefeitos, vereadores, secretários, deputados estaduais, governador, ministros, deputados federais, senadores e a presidente da república), sem contar a diretoria de todas as empresas envolvidas (inclusive na geração e distribuição de energia elétrica), a Agência Nacional de Águas e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (fora umas milhares de outras instâncias burocráticas que eu não consigo nem imaginar que existam, mas que também iam querer sua boquinha pra manter o segredo). E novamente: A troco do que? Qual a grande vantagem?

• E o mercado financeiro? Tá todo mundo dizendo que a Sabesp só visa o lucro, porém por que eles fariam parte dessa conspiração que está acabando com o valor de mercado das ações da empresa na Bolsa de Valores? (veja o gráfico com o desempenho da ação, ladeira abaixo desde julho do ano passado)

Screen Shot 2015-02-03 at 10.03.22 PM

Viram como é até divertido fazer esse exercício? A gente começa questionando algo com um argumento que aparentemente faz todo sentido, depois questionamos esse argumento e o bombardeamos de perguntas. Será que ele sobrevive? Se sobreviver, será que não estamos cometendo nenhum equívoco de percepção? Se você consegue entender isso e chegar essas conclusões, seja muito bem-vindo. Você está adentrando o maravilhoso mundo do método científico e está começando a treinar seu cérebro para conseguir entender melhor esse universo fascinante em que vivemos.

 

Boa viagem! (mas não se esqueça de ECONOMIZAR água… SEMPRE)

Anúncios

O satélite, o foguete e os idiotas

Se ajeite na cadeira que hoje o post é longo, mas vale à pena!

Primeiro vamos aos fatos:

Inpe confirma fracasso no lançamento de satélite na China

Estou trazendo esse assunto ao blog pois há MUITA bobagem sendo dita e muita piadinha estúpida sendo feita sobre o assunto. Tanto as bobagens quanto as piadinhas disfarçam porcamente um pensamento pequeno, tacanho, típico dos que “pensam que pensam”, mas que não enxergam que há um braço naquele palmo que acabaram de ver diante do nariz (mas pelo menos o palmo à frente do nariz enxergam).

Vamos por partes (e começando BEEEM no começo)


1- O satélite:
Acho que aqui cabe ressaltar a informação mais importante e a primeira que devemos absorver para não sair arrotando bobagens por aí: o CBERS-3 NÃO é um brinquedo caro e inútil. Assim como não eram seus antecessores. Esse satélite é um instrumento científico avançado e extremamente necessário (embora eu não goste de usar os termos “útil” ou “necessário” para pesquisa científica, já que isso dá a entender que a ciência basal é desnecessária, afirmação que não poderia ser mais equivocada).
Um país do porte do Brasil, com a cobertura florestal do Brasil e com os problemas de desmatamento do Brasil simplesmente NÃO PODE se dar ao luxo de comprar imagens de satélite para monitoramento de desmatamento e de emergências. E é exatamente isso que estamos fazendo há 3 anos, desde 2010 quando o CBERS-2 deixou de funcionar (esses satélites possuem vida útil de 3 anos) nosso país não enxerga a Amazônia e a Mata Atlântica com seus próprios olhos.
É muito fácil rir de uma tecnologia nacional, claro, estamos mais acostumados com a NASA do que com a Agência Espacial Brasileira (AEB), acompanhamos lançamentos de foguetes o tempo todo, acompanhamos as sondas descendo em Marte, sobrevoando Saturno, chegando a Plutão ou mesmo saindo do Sistema Solar rumo ao espaço interestelar. Para nós, isso é que é programa espacial, isso é ter tecnologia e ser civilizado. NASA e ESA (agência espacial européia) que são agências de verdade e elas que devem se preocupar com o Espaço Sideral, certo?
NÃO, MUITO ERRADO!
O Brasil, mesmo em parceria com a China, ter conseguido construir essa linhagem de satélites e lançar seus antecessores é uma vitória DESCOMUNAL, se formos contar o nível de educação, as verbas destinadas à pesquisa científica e mesmo ao irrisório número de engenheiros formados por ano no país (apenas para me ater a um exemplo de qualificação).
A NASA só chegou a ser o que é hoje graças à corrida espacial da década de 60, durante a Guerra Fria. E por que? Porque o governo colocou um CAMINHÃO de dinheiro para ganhar essa corrida, e qual foi o “efeito colateral” (ou um dos efeitos) de o homem (americano) ter colocado os pés na Lua?
VOCÊ e a sua percepção (em certo grau compartilhada por uma grande parte do planeta) de que os EUA são sinônimos de tecnologia espacial. Aquela década inspirou gerações de americanos que queriam ser engenheiros, cientistas ou astronautas. A pesquisa aplicada para as missões espaciais renderam (e ainda rendem) produtos que mudaram a nossa vida .
É exatamente ISSO que o Brasil está perdendo ao investir TÃO POUCO (300 milhões não são absolutamente NADA) em ciência espacial. Esse é um campo capaz de inspirar as pessoas e formar gerações de pesquisadores e inovação tecnológica. É um trabalho de longo prazo, mas já está muito mais do que demonstrado que cada centavo investido no espaço volta para a Terra e com muitos dividendos (tangíveis e intangíveis), além é claro, dos benefícios diretos desse satélite específico, que é o monitoramento do nosso território.

2- A parceria com a China
“Devíamos buscar parceria com os EUA ao invés de ficar fazendo satélites Xing-Ling”. Talvez essa tenha sido a frase mais lida depois que saiu a notícia da falha de propulsão do lançador chinês que fez com que o CBERS-3 voltasse à Terra. Aqui a questão complica um pouquinho, mas eu vou tentar abordá-la, mesmo sem ter tanto conhecimento dos bastidores.
Firmar uma parceria como essa com a NASA, me parece uma missão extremamente difícil já que a Agência Espacial Americana já possui tecnologia de lançamento completamente desenvolvida e está enfrentando cortes de gastos. Portanto, se quisermos entrar “em parceria” com os EUA, imagino que precisaríamos pagar uma boa parte do projeto. Seria mais ou menos como alugar a tecnologia: nós usaríamos o que foi combinado e em troca daríamos dinheiro, portanto, uma transação puramente comercial, onde o Brasil não teria muito espaço para aprender nem colaborar. Países como a China e Índia são um pouco diferentes. Apesar de eu ter sérias restrições ideológicas contra a China, temos que lembrar que eles têm as maiores reservas em dólares do planeta e não estão medindo recursos para se aprimorar no campo científico e tecnológico (e estão fazendo isso a largos passos). Ontem (14/12/2013) fizeram o primeiro pouso em solo lunar, depois de 37 anos e hoje o Rover já começou a rodar pela superfície do nosso satélite natural. Portanto a China está aí, com muito dinheiro para investir e muito interessada em se aprimorar tecnicamente. O parceiro ideal para o Brasil que também tem interesse não só em monitorar seu vasto território como também de aprender e desenvolver técnologia e inovação.
Obviamente uma parceria com a ESA (agência espacial européia) poderia render excelentes frutos ao programa espacial brasileiro, porém aí o problema sai da esfera científica para entrar na geo-política com a ideologia do governo atual muito mais voltada a paises como a China e Índia (parte dos BRICS) do que a países do eixo EUA-Europa. O Chile tem acordos muito bons de cooperação científica no campo da astronomia observacional (para citar apenas o exemplo de um vizinho próximo). Mas infelizmente esse ainda é um país que pensa e formula políticas que deveriam ser de longo prazo sempre de olho nos períodos de mandatos e a ciência sempre estará sujeita à política.


3- Órbitas

Fonte: wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Orbital_motion.gif)

O genial Douglas Adams escreveu em “O Guia do Mochileiro das Galáxias” que “o segredo para voar é se atirar ao chão e errar o alvo”. Por mais engraçada que a frase seja, não consigo deixar de pensar que ela se aplicaria MUITO melhor a uma explicação das órbitas espaciais.
A maioria das pessoas acha que colocar um satélite em órbita é tão fácil quanto jogá-lo para o alto com muita força, o que não poderia estar mais equivocado. Os cálculos envolvidos para as trajetórias, excentricidades e velocidades são tão complexos que chegam a dar tontura só de imaginar.
Mas colocando de forma excessivamente simplista como se coloca um satélite (ou qualquer outro objeto) em órbita do nosso planeta (ou de qualquer outro corpo celeste): A Terra exerce sua atração gravitacional sob o satélite, certo? (lembram da maçã caindo na cabeça de Sir Isaac Newton?). Para que o satélite não caia na Terra como a maçã supracitada, é preciso que esse satélite tenha uma velocidade lateral que seja exatamente igual à força gravitacional da Terra, assim, essas duas forças entram em equilíbrio e o satélite vai ficar eternamente circulando nosso planeta. Simples não? Claro que não. Imagine dar esse “empurrãozinho” com a força exata e no ponto exato para que o satélite não fique sobrevoando o arquipélago de Fiji. Agora imagine se esse empurrão for forte demais, o satélite vai “escapar” da órbita da Terra (possivelmente indo orbitar, ou ser engolido, pelo Sol), agora imagine fazer tudo isso a uma velocidade mais alta que a de uma bala de rifle. Entenderam? É um processo de extrema complexidade e muito fácil de se errar. Quem faz piadinha com o nosso satélite, muito provavelmente acha que a infalível NASA nunca perdeu uma sonda por erro PRIMÁRIO de conversão de medidas (coisa que não ocorreu com o CBERS-3).

4- O Processo Científico
“Fracasso” em ciência é um pouco diferente do que conhecemos comumente como fracaso. Sim, nós perdemos dinheiro, perdemos (MUITO) tempo, mas ganhamos. Ganhamos conhecimento, o erro que aconteceu no lançamento do CBERS-3 não ser repetirá (pelo menos não no Brasil e nem na China), em ciência a máxima que vale é “Um resultado negativo também é um resultado”. Na verdade um resultado negativo é um resultado extremamente válido e que estimula novas perguntas, novas fronteiras, e a evolução do conhecimento. Obviamente todo esse “benefício” que vem com os fracassos se perdem completamente nas tragédias em que vidas humanas são perdidas, como no caso do Ônibus Espacial Challenger, em 1986 (lembro nitidamente daquele lançamento), do Ônibus Espacial Columbia, em 2003 e, para ter um exemplo nosso, do acidente com o VLS na base de Alcântara, há 10 anos.
Falando nesse último, a Base de Alcântara foi completamente reformulada, visando segurança total dos funcionários em caso de acidente, portanto até nesse caso, em que vidas foram perdidas, podemos assegurar que muitas vidas serão poupadas.
Então essa falha no lançamento do CBERS-3 vai nos ensinar bastante coisa, vamos aprender com os erros e não cometê-los, quem sabe já vamos ter esse “know-how” quando construirmos o nosso próprio lançador (o sucessor do VLS perdido no acidente de Alcântara), à partir dos fracassos vamos contruindo um conhecimento científico muito mais sólido, muito mais robusto e cada vez com menos espaço para bobagens e piadinhas estúpidas.

Resumindo: o Brasil, precisa de um Programa Espacial. Esse Programa Espacial PRECISA de verbas e precisa trabalhar e administrar essas verbas da melhor maneira possível. Investir no espaço é um dos caminhos (óbvio que não o único e nem o principal) para manter as pessoas inspiradas, para avançar em tecnologia e inovação e para formar mais e melhores cientistas (e reter essas mentes no Brasil). “Fracassos” como esse nos mostram que ainda temos um longo percurso pela frente, e por isso mesmo, precisamos de mais investimentos na área.